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Desporto Madeirense

1. Antecedentes

As actividades lúdico-desportivas desempenharam uma importante função no processo de povoamento e desenvolvimento da Madeira. Fosse para domar a Natureza exuberante mas agreste, fosse para enfrentar e vencer as investidas de piratas, ou fosse meramente para promover a convivialidade que esbatesse as agruras do isolamento e da insularidade, aquelas actividades ocuparam um espaço central na vida dos homens no espaço insular.

Nas mais das vezes a realização daquelas actividades assumia a forma de espectáculo público. Integram-se nesta categoria actividades como as Touradas, normalmente promovidas em associação com festas e solenidades religiosas e civis. Esta forma de luta com animais, comum a outras áreas culturais distintas da nossa e, por isso, presente em praticamente todos os tempos e em todas as sociedades, tiveram como contraponto, entre nós, as lutas entre homens.

Nestas lutas destacam-se as ‘ferras’, considerada uma actividade querida dos ilhéus e que consistia numa espécie de luta corpo a corpo, em que os contendores se apresentavam praticamente nus (apenas as partes genitais eram cobertas) e disputavam sucessivos combates, cuja vitória permitia o recebimento dos prémios estipulados, os quais eram particularmente valiosos nos dias festivos.

As ‘camisadas’ (ou ‘encamisadas’) podem também ser consideradas outra espécie de luta (ou simulação da mesma) entre homens. Sob a forma de assalto nocturno a um local estratégico ou de batalha em campo aberto, os adversários distinguiam-se pelo uso de camisões brancos (de onde deriva o nome atribuído à actividade). Os historiadores dão conta de desfechos violentos destas lutas.

As caminhadas a pé, as diferentes actividades equestres (designadas de ‘cavalhadas’), a caça, eram outras actividades com finalidades lúdicas, que emparceiravam com jogos de sala, e com jogos de bola, presentes na Madeira desde o tempo do Capitão-Donatário Simão Gonçalves da Câmara. A importância social destes últimos jogos era tal que a sua prática chegou a ser objecto de Postura da Câmara Municipal do Funchal, a qual estabelecia:

“Nenhuma pessoa jogará à bola, aos Domingos e Dias Santos antes da missa do Dia, sob pena de 200 reis e sob a dita pena, nenhum oficial mecânico, nem homens trabalhadores, nem pessoas vadias, nem nenhum homem peão será achado, nos outros dias, a jogar, quando forem dias de trabalho (…) e sob a dita pena não consentirão jogar nenhum moço nem escravo”. (in Histórica da Cultura Lúdico-Desportiva da Madeira, pg 54).

O conhecimento sobre estes aspectos da História da Madeira pode ser aprofundado através da leitura, entre outras, de obras como ‘História da Cultura Lúdico-Desportiva da Madeira’, de Francisco Santos, ‘Ensaios Históricos da Minha Terra’, de Alberto A. Sarmento, ‘A Madeira vista por estrangeiros’, de António Aragão.

2. Implantação Desportiva

O breve resumo apresentado no ponto anterior cobre, em termo históricos, um período tão longo como o que medeia entre a descoberta do arquipélago e meados do século XIX. Sensivelmente por esta altura surgem entre nós aquelas que devem ser consideradas as primeiras movimentações desportivas, na sequência da institucionalização, desencadeada a partir da Grã-Bretanha, de muitas práticas lúdico-desportivas em jogos desportivos formais, e fruto da forte e influente presença da colónia inglesa na Madeira.

Não estranha pois que tenha sido a Madeira, a primeira região do país onde se jogou futebol. Por iniciativa de Harry Hinton, que no regresso dos seus estudos em Inglaterra se faz acompanhar de uma bola de futebol, a qual constituirá o centro de todas as atenções do jogo que realizará na Camacha, em 1875.

Seguir-se-á o desenvolvimento de inúmeras actividades desportivas formais, fruto do conhecimento que das mesmas vão tomando conhecimento e introduzindo da ilha sobretudo os membros da colónia inglesa.

Entre aqueles primeiros pontapés na bola e o alcance de um primeiro título de campeão nacional para uma equipa madeirense (Club Sport Marítimo, campeão de Portugal em 1926), passam pouco mais de 50 anos repletos de praticamente todas as iniciativas imagináveis em termos de práticas desportivas.

Uns ‘Jogos Olímpicos Madeirenses’, em 1913, são como que um primeiro apogeu das iniciativas que tinham permitido a introdução de jogos desportivos como o ‘Cricket’, o ‘Lawn Tennis’, mas também o Atletismo, o Ciclismo, o Tiro, a Esgrima, o Boxe e, naturalmente, a Natação, o Pólo Aquático, o Mergulho e a Vela.

A conferir a estas manifestações sociais estrutura organizativa surgiram inúmeras entidades clubísticas e associativas. Club Sports Madeira, Club Sport Marítimo, Clube de Futebol União, Clube Desportivo Nacional e Associação de Futebol da Madeira, são exemplos de agremiações desportivas com praticamente um século de existência.

Entre o final da I República e o advento da Democracia e da Autonomia, o desporto madeirense ficou praticamente confinado às amarras da insularidade e do isolamento. Enquanto a parte continental do país foi assistindo à organização sistemática das práticas desportivas, a Região ficou arredada dessa marcha progressiva. Elucidam bem estas circunstâncias os factos de só em 1957 a Região ter merecido a construção de um Estádio de Futebol e só em 1972 ter visto nascer o primeiro pavilhão gimnodesportivo regional.

A construção do aeroporto e consequente alargamento das possibilidades de ligação mais rápida e regular com o resto do país veio atiçar a vontade dos madeirenses em marcar presença nas provas desportivas nacionais. Era uma vontade tão forte que, praticamente dez anos depois da inauguração do aeroporto, o Club Sport Marítimo aceita condições humilhantes (mas à data incontornáveis) para aceder ao campeonato nacional da II divisão em futebol. Estávamos em 1973. Um ano depois, com a Revolução de Abril, será iniciado o processo de afirmação desportiva madeirense que se consolidou até aos nossos dias.

O conhecimento sobre esta fase da história do desporto madeirense pode ser pode ser aprofundado através da leitura, entre outras, de obras como ‘História da Cultura Lúdico-Desportiva da Madeira’, de Francisco Santos, ‘História do Club Sport Marítimo – vol I, II e III’, de Adelino Rodrigues, Livro das Bodas de Ouro da Associação de Futebol da Madeira, AAVV, ‘Almanaque do Desportista Madeirense’, de Mota de Vasconcelos, ‘Bola e Mergulhança’, de Luís Calisto, ‘História do Club Sport Marítimo – edição do 90º aniversário’, de Deodato Rodrigues, Revista das Bodas de Ouro do Club Sport Marítimo, Revista das Bodas de Diamante do Club Sport Marítimo, Revista das Bodas de Ouro do Clube Desportivo Nacional.

3. Autonomia: 30 anos de desenvolvimento desportivo

Como aconteceu em geral, também o Desporto madeirense modificou-se tremendamente em 30 anos de Autonomia, a conquista que adveio da Liberdade e da Democracia alcançadas através da Revolução de Abril de 1974.

À data a realidade desportiva era pouco mais que insípida: apenas uma equipa madeirense participava em competições desportivas regulares; a maioria dos clubes existentes exerciam a sua actividade na capital do arquipélago, o número de praticantes desportivos não chegava ao milhar, o fraco nível de formação de dirigentes e treinadores era escondido com a sua dedicação e carolice.

Dispor de poderes legislativos e órgãos de governo próprios, a par da abertura das federações desportivas nacionais às realidades desportivas insulares (Madeira e Açores), revelou-se decisivo para o caminho percorrido nestes últimos trinta anos.

Quaisquer que sejam os indicadores de desenvolvimento desportivo de que nos socorramos, os dados são eloquentes e elucidativos: um sempre crescente número de praticantes desportivos, acompanhados por um igualmente crescente número de treinadores e dirigentes formados, dispõem de instalações desportivas de qualidade indesmentível, nas quais se preparam para as competições desportivas regionais, nacionais e internacionais, as quais são alvo de apoios por parte do Governo Regional.

A par, consolida-se o Desporto Escolar, aumenta o número de cidadãos envolvidos em actividades de Desporto para Todos e valoriza-se a prática desportiva para cidadãos portadores de deficiência; todos os anos cresce o número de clubes e associações; a participação em provas europeias tornou-se prática corrente em muitas modalidades, incluindo aquela que apresenta o maior nível de exigência, o Futebol.

Club Sport Marítimo e Clube Desportivo Nacional (Futebol), Madeira Andebol e Club Sports Madeira (Andebol Feminino e Voleibol Feminino), Marítimo Académico Andebol (Andebol Masculino) Clube Amigos do Basquete (Basquetebol), Clube Desportivo São Roque Clube Desportivo Ponta do Pargo (Ténis de Mesa), União Desportiva de Santana e Grupo Desportivo do Estreito (Badminton), Hóquei do Porto Santo (Hóquei em Patins), são algumas das agremiações desportivas que vêm participando com regularidade em provas internacionais, mercê do respectivo apuramento nas competições nacionais.

Por fim, registe-se a presença da Madeira, logicamente incluída na Missão Portuguesa, em todos os Jogos Olímpicos realizados desde Seul-1988. Paulo Camacho (Natação), Paula Saldanha (Judo), Filipe Bezugo (Ginástica), Maribel Gonçalves (Atletismo – Marcha), João Rodrigues e Helena Fagundes (Prancha à Vela), Ricardo Fernandes e Marco Vasconcelos (Badminton), Dani e Cristiano Ronaldo (Futebol), são os nomes dos atletas que deram corpo a esse feito notável e absolutamente inesperado há 30 anos …

 
 


 
 

Cristiano Ronaldo
Fotografia assinada por ele
Ex-Aluno da Escola B/Secundária de Gonçalves Zarco
Funchal - Madeira - Portugal



 
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