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A Rota do Açúcar na Madeira

A rota do açúcar, na sua transmigração do Mediterrâneo para o Atlântico, tem na Madeira a sua principal escala. Foi na ilha que a planta se adaptou ao novo ecossistema e deu mostra da elevada qualidade e rendibilidade.

A história do açúcar na Madeira confunde-se com a conjuntura de expansão europeia e dos momentos de fulgor do arquipélago. A sua presença é multis-secular e deixou rastos evidentes na sociedade madeirense. Do século XIX e do primeiro quartel da nossa centúria perduram ainda a maioria dos engenhos desta nova vaga de cultura dos canaviais. Aqui, a cana diversificou-se no uso industrial, sendo geradora do álcool, aguardente e, raras vezes, o açúcar. Foi certamente neste momento que surgiu a tão afamada poncha.



A cana-de-açúcar foi cultivada, na ilha da Madeira, a partir da 2ª metade do séc. XV. As condições climatéricas, um terreno bastante produtivo e a abundância de água, favoreceram uma produção em quantidade suficiente para a Ilha iniciar a sua exportação. Mas, esta florescente cultura iria declinar bastante, devido a uma doença surgida nos canaviais. Por isso a cana sacarina vai conhecer uma profunda crise, provocando o aparecimento de outras culturas alternativas: a vinha e a cidra.



A Europa sempre se prontificou a apelidar as suas ilhas de acordo com a oferta de produtos ao seu mercado O açúcar ficou como epíteto da Madeira e de algumas das Canárias, onde a cultura foi a varinha de condão que transformou a economia e vivência das suas populações. A Madeira foi pioneira na exploração desta cultura.

Um dos engenhos mais conhecidos na Madeira é o dos Socorridos, situado na ribeira do mesmo nome, fundado em 1750.

A Madeira passou a contar com algumas variedades de cana-de-açúcar: a cana amarela, a bambu, a cristalina do Haiti, a Port Mackay, etc.

Outra das fábricas importantes foi a do Torreão, fundada por William Hinton, em 1856, onde fabricava o açúcar e a destilação de aguardente. Esta funcionava à força motriz fornecida pela água, e estava munida de bateria de caldeiras para a fabricação do açúcar, assim como tanques de medição, depósitos para os produtos de fabrico, um alambique de destilação, caldeiras para destilar borras e bombas aspiradoras.

Processamento da cana

A cana colhida é processada com a retirada do caule, que é esmagado, libertando os sucos que são fervidos, resultando o melaço, do qual o açúcar é cristalizado. O caule é às vezes mastigado, ou então usado para fazer caldo de cana e rapadura. O caldo também pode ser utilizado na produção de rum ou cachaça, enquanto as fibras, também chamadas de bagaço, podem ser usadas como ração animal ou combustível.




O FABRICO DO ÁLCOOL

O álcool era um produto muito procurado na Ilha, especialmente para o tratamento de vinhos. Apenas alguns engenhos se dedicavam à sua transformação, pois o processo de fabrico tinha alguns requisitos. Dos depósitos que recebiam o sumo das canas-de-açúcar, este era levado para as pipas para serem tratados.

A EXTINÇÂO DOS CANAVIAIS As restrições foram sendo impostas ao fabrico de aguardente e, por conseguinte, levaria á diminuição dos canaviais. O concelho do Porto Moniz foi o que menos produziu cana-de-açúcar. Entretanto, na fábrica do Torreão trabalhava-se intensamente, com a introdução de maquinaria cada vez mais moderna e sofisticada. Esta procurava dar uma resposta eficiente na transformação da cana-de-açúcar.

Alguns engenhos da Ilha da Madeira

Fábrica de Mel do Ribeiro Seco-1882
(Actualmente em funcionamento)

Engenho da Vila da Calheta, fundado em 1901
(Actualmente em funcionamento)

Engenho do Porto da Cruz, fundado em 1858

Engenho de Machico, fundado em 1858

Engenho de Santa Cruz, fundado em 1858

Engenho do Torreão, fundado em 1856

Bibliografia:

A Rota do Açúcar na Madeira, de Alberto Vieira e Francisco Clode, ARAP, 1996
A Cana-de-Açúcar na Madeira – séculos XVIII – XX, de João Adriano Ribeiro, CMC, 1992
 
 

 
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