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O Natal na Madeira

Na Madeira, os festejos do Natal, começam no dia 16 de Dezembro, com as Missas do Parto. Estas missas representam o percurso de Nossa Senhora para dar à luz. É como que uma preparação para o grande dia do nascimento de Jesus – o Advento. São celebradas de madrugada, (às 5.30, 6 ou 6.30 da manhã) e terminam no dia 24.

Os sinos começam a repicar antes da missa, chamando os fiéis. É também costume, largarem foguetes e bombas.

No fim da celebração realiza-se um convívio, que se prolonga tarde fora, com comidas, bebidas, música, venda de rifas e um leilão. O dinheiro obtido é revertido à igreja.

A época de Natal, é um período no qual padrinhos e afilhados, amigos e parentes, trocam presentes, e visitam-se mutuamente, para conviverem, apreciarem o presépio, comerem bolo de mel, broas, bolos e petiscos, beberem os licores e vinho.

A habitação é caiada, o seu interior limpo e arrumado e todas as roupagens são mudadas, verificando-se um certo ritual de purificação. É também costume toda a gente procurar vestir roupa nova.

Normalmente a 8 de Dezembro, dia da Imaculada Conceição, ou ainda, no dia 18 de Dezembro, (dia de Nossa Senhora do Ó ou do Parto), que se matam os porcos, resultando daí um convívio, entre familiares, vizinhos e amigos. Com a sua carne, sangue e miudezas, fazem-se pratos e “dentinhos”, (petiscos), típicos desta época, tais como sangue guisado, sarapatel, carne de vinha d’alhos, espetada de coração, e fígado, bofe, “fressura”, bifes de fígado, linguiça, sopa de “tanarifa” (feita com o intestino, e agrião ou moganga), entre outros.

Nesta época, também costuma-se cozer pão. Antigamente, quem não possuíam forno, coziam nas casas das que tinham, ou numa padaria, motivo para mais um convívio. Além do pão faziam-se os “brindeiros”.

Durante a noite da véspera de Natal, a população costuma confraternizar no mercado e nas ruas circundantes, comprando fruta, hortaliças, verduras, ou simplesmente, tomando um copo, comendo sandes de carne de vinha d’alhos e canja.

A cidade está decorada com iluminação, de várias cores, e muitas vezes teatralizada, com quadros vivos.

Na Madeira, a lapinha ou Belém é a rainha das festas de Natal, começando a construir-se poucos dias antes. É feita em escadaria de três palmos ou mais, coberta com uma toalha branca e decorada com searinhas (plantas verdes de centeio, lentilha, milho e trigo), cabrinhas ou fetos, brindeiros (pães pequeninos), fruta da época: pêros, laranjas, tomate inglês, tangerinas, e com a tradicional pequena lâmpada de óleo.

É nas primeiras madrugadas das inesquecíveis missas do parto, celebradas dias antes do Natal, que o madeirense mata o porco, e cuja carne servirá para preparar as tradicionais iguarias da época, razão pela qual a conserva em salmoura.

O dia da matança do porco, esperado com ansiedade por todos, começa de madrugada, durante a qual um grupo de 4 a 5 homens, alguns deles usando o típico barrete de orelhas (barrete rústico de lã) se dirigem para o chiqueiro, atam uma corda à volta do pescoço do porco e, de seguida, encaminham-no para fora onde, depois de segurá-lo firmemente contra o chão, o matador acerta-o com um golpe certeiro de faca. O sangue que brota do pescoço é então rápidamente recolhido pelas mulheres que, com um alguidar na mão, é aproveitado para confeccionar o saboroso sarapatel (sangue de porco cozido e temperado com cebola, alho picado, salsa, sal, pimenta e vinagre), após o que se esquarteja o corpo do animal.

No dia seguinte, preparam-se as febras para a tradicional carne de vinho e alhos, servida no dia de Natal. Para as pessoas mais estimadas da paróquia, amigos e compadres da familia, são reservadas outras partes da carne do porco, as bichanas ou bichaninhas. O dia da matança do porco, esperado durante todo o ano, é, desde tempos imemoráveis, o dia da festa por excelência, um dia com muito vinho e comida, danças, cantares e despiques. É nesta época do ano que muito especialmente se prepara o mais delicioso dos doces locais, o bolo-de-mel. Este bolo, muito rico e feito com uma variedade de ingredientes como o mel de cana sacarina e diversas especiarias oriundas da Índia, parece ter origens seiscentistas, uma vez que é a partir deste século que as primeiras especiarias orientais, acessíveis à população madeirense, começaram a chegar ao arquipélago.

Um dos relatos mais completos sobre o Natal na Madeira, com mais de um século de existência, deve-se a Isabella de França, que esteve neste território insular entre 1853 e 1854. Esta senhora de origem inglesa, esposa do herdeiro madeirense José Henrique de França, dono de numerosas propriedades, descreve no “Jornal de uma visita a Madeira e a Portugal”, publicado pela Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal (pág. 67), um dos costumes mais populares da época natalícia: “... perto de uma hora após ter chegado a casa, entrou no vestíbulo do nosso hotel uma banda de tambores e pífaros tocando Deus Salve a Rainha (...). Aqueles músicos têm o hábito de, nesse dia, percorrer todas as casas de respeito à espera de uma gratificação. Nas casas portuguesas tocam qualquer dos vários hinos nacionais ou peças políticas (o do partido em governação, está claro!), mas onde vivem ingleses sempre se ouve o God Save the Queen”.

Isabella de França descreve também as festas paroquiais, com especial referência ao fogo-de-artifício que, tanto de dia como de noite, honram a religiosidade de tal dia: “... no dia de Natal, a festa por excelência, não se ouve outra coisa a não ser explosões por toda a parte, foguetes, estalidos, tiros de caçadeira e pistola a torto e a direito - enfim, fogo e ruido por todos os lados possíveis”.






Legenda:

Presépios Madeirenses feitos de barro e palha de bananeira
Artistas: Cármen Molina
Orlando Gões
Maria Jaime
Conceição Ornelas
Egídio ( Presépio de Rua)


Presépio Tradicional da Madeira


Presépio Decorativo de Natal na Cidade do Funchal




 
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